Votos da Equipa da Unidade de Cuidados à Comunidade de Santa Maria da Feira

Gabinete de Atendimento ao Utente Ostomizado Centro de Saúde de Santa Maria da Feira - ACES Entre Douro e Vouga I
A irrigação funciona como uma espécie de clister: faz-se uma lavagem intestinal, com material apropriado, através do ostoma, deixando o intestino de funcionar por um período que pode ir de 24 a 72 horas. Durante este tempo, como não há saída de fezes, e a quantidade de gases diminui consideravelmente, não será necessário usar o material habitual, mas sim uma espécie de tampão – um pequeno penso para protecção do próprio ostoma.
Portugal registou 6.391 novos casos de cancro colo rectal em 2007, indica um estudo apresentado em Setembro de 2009 a assinalar o dia nacional do cancro digestivo e a fim de alertar as autoridades e a população para a necessidade de um rastreio nacional da doença.
Sexualidade não é sinónimo de sexo, é um termo que pode significar várias coisas em pessoas diferentes; poderá ser muito mais do que a relação sexual em si, o orgasmo ou outras situações físicas agradáveis e tem por base as crenças, valores e regras vigentes na sociedade, na qual o indivíduo se insere.
O aparecimento da doença a qualquer indivíduo é, quase sempre, um obstáculo ou limitação aos seus interesses e necessidades; constitui uma fonte de insatisfações, sofrimentos e problemas de adaptação a uma nova situação.
Um diagnóstico de cancro surge como um acontecimento de vida que implica a gestão de um turbilhão de emoções e a mobilização de todos os recursos e capacidades do indivíduo para o enfrentar. Na tentativa de ultrapassar a doença oncológica, os indivíduos são sujeitos a intervenções que podem alterar profundamente a sua imagem corporal, confrontando-se assim, com uma problemática multidimensional, que envolve fundamentalmente problemas psicológicos, sociais, de reintegração profissional e sexuais.
Um indivíduo ostomizado poderá confrontar-se com uma auto-imagem negativa devido à alteração da sua imagem corporal, que lhe é imposta pela presença do estoma, o que pode influenciar negativamente a sua postura face ao relacionamento sexual. Assim, a interferência da alteração da imagem corporal na sexualidade é algo que depende das percepções de pelo menos duas pessoas (o próprio e o seu parceiro).
Para algumas pessoas, o simples facto de estarem doentes pode provocar dúvidas acerca da sua identidade sexual e, talvez por este motivo, o doente possa sentir-se envergonhado para questionar os profissionais de saúde, acerca das suas preocupações sexuais. A um doente ostomizado podem surgir várias questões como por exemplo:
– Será que posso ter novamente relações sexuais?
– Será que a ostomia vai funcionar durante o acto sexual?
– E se o saco se desadapta?– Será que o cheiro afecta o meu/minha parceiro/a?
– O que pensa o meu/minha parceiro/a?
A abertura de um canal de comunicação entre o doente/profissional de saúde e/ou doente/parceiro(a) permitirá uma reestruturação da vida do doente visando devolver-lhe a auto-estima, a confiança e a possibilidade de desfrutar a sua vida de forma mais aprazível.
Para evitar situações difíceis de ultrapassar e de certa forma viver a sexualidade de uma forma saudável é importante:
– Esvaziar o saco antes da actividade sexual;
- Falar com o (a) parceiro (a) sobre o que se está a sentir;
- Evitar os alimentos que provoquem flatulência;
– Ingerir iogurtes naturais de forma a evitar o odor;
– Usar uma t-shirt, lingerie ou um lenço que cubra a ostomia;
– Adoptar posições confortáveis durante o acto sexual;
– Consultar um andrologista e/ou ginecologista;
– Procurar grupos de apoio a ostomizados.
A sexualidade de cada um é única. A adaptação emocional à ostomia é variável de doente para doente, mas este leva muito mais tempo a adaptar-se emocionalmente do que a aprender a tratar dela. Poderá ser necessário um ano inteiro para o indivíduo atingir um nível perfeito de funcionamento. Não hesite em procurar ajuda.
Consulta de Enfermagem ao Utente Ostomizado
Enfermeira Paula Leite Centro de Saúde de Santa Maria da Feira
Bibliografia:
Cascais, A. F. M. V; Martini, J.G.; Almeida, P.J.S ( 2007). O impacto da ostomia no processo de viver humano. Acesso em 30 de junho de 2007.
FREITAS, M.R.I. de. Subsídios para a compreensão da sexualidade do parceiro do sujeito portador de colostomia definitiva. Ribeirão Preto, 1994. 211p. Dissertação (Mestrado) - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.www.lop.pt
Uma nutrição adequada é muito importante na colite, especialmente quando se recupera de uma crise ou se reduz o consumo de alimentos com o objectivo de diminuir a diarreia.
Deve, pois, ter cuidado em incluir proteínas, calorias, vitaminas A, C, D, B12 e ácido fólico, cálcio, ferro e zinco. Isto significa consumir uma grande divercidade de alimentos sem exacerbar a inflamação.
- Coma fígado 1 vez por semana para obter vitamina A (excepto as grávidas) e frutos e legumes de polpa alaranjada para obter betacaroteno, substância que o organismo converte em vitamina A.
- Salmão, sardinhas e cavala de conserva ou frescos fornecem vitamina D.
- Fígado, peixe, porco e ovos, frescos ou de conserva, são boas fontes de vitamina B12; os legumes de folha verde escura fornecem ácido fólico e, tal como a fruta, contêm fibras solúveis; o queijo e o iogurte são boas fontes de cálcio; e o zinco encontra-se no marisco, especialmente nas ostras.
A ANEMIA constitui um problema bastante comum dos que sofrem de colite ulcerosa, pois as zonas inflamadas sangram frequentemente. É importante, por isso, ingerir alimentos que contenham bastante ferro. O ferro que obtém-se mais facilmente na carne vermelha, especialmente no fígado.Para auxiliar o organismo a absorver ferro dos legumes, as refeições devem incluir uma boa fonte de vitamina C, como, por exemplo, sumo de laranja.
Resumindo:
Deve comer :
– Fruta e legumes de folhas verdes, cozinhadas, para obter fibras solúveis
- Peixe gordo para obter vitamina D
- Alimentos ricos em betacaroteno
- Fígado, excepto no caso das grávidas
Consulta de Enfermagem ao Utente ao Ostomizado
Pode começar em qualquer idade, mas normalmente surge entre os 15 e os 30 anos. Uma minoria dos afectados sofre o seu primeiro ataque entre os 50 e os 70 anos.
Ao contrário da doença de Crohn, a colite ulcerosa normalmente não afecta a espessura completa da parede intestinal e nunca afecta o intestino delgado. A doença costuma começar no recto ou no cólon sigmóide (a parte baixa terminal do intestino grosso), estendendo-se de forma parcial ou total pelo restante intestino grosso. Em algumas pessoas é afectada a maior parte do intestino grosso desde o princípio.
Cerca de 10 % das pessoas que parecem ser afectadas por colite ulcerosa sofre um único ataque. No entanto, alguns destes casos podem ser devidos a uma infecção não detectada, mais do que a uma colite ulcerosa.
A causa da colite ulcerosa não é conhecida, mas podem contribuir para esta perturbação factores como a hereditariedade e uma resposta imune intestinal hiperactiva.
O que se sente?
Os sintomas podem ocorrer de forma súbita e intensa, provocando uma diarreia violenta, febre alta, dor abdominal e peritonite (inflamação do revestimento abdominal).
Durante estes ataques, o doente fica profundamente debilitado.
No entanto, o mais frequente é que os ataques comecem gradualmente e que a pessoa sinta uma necessidade urgente de evacuar, cólicas ligeiras na região inferior do abdómen e sangue e muco visíveis nas fezes.
Quando a doença se limita ao recto e ao cólon sigmóide, as fezes podem ser normais ou então duras e secas. No entanto, durante as evacuações ou entre as mesmas, é expulso pelo recto muco que contém um grande número de glóbulos vermelhos e brancos. Os sintomas gerais de doença, como a febre, são ligeiros ou inexistentes.
Se a inflamação se estender mais acima pelo intestino grosso, as fezes tornam-se muito moles e o paciente pode ter entre 10 e 20 evacuações por dia. Muitas vezes, tem cólicas intensas e espasmos rectais angustiantes e dolorosos, que são acompanhados por urgência em defecar. Não se sente alívio durante a noite. As fezes podem ser líquidas e conter pus, sangue e muco. As fezes são, com frequência, praticamente substituídas por sangue e pus. Pode haver febre, falta de apetite e perda de peso.
Quais as Complicações?
A colite tóxica é uma complicação particularmente grave em que é lesada a totalidade da espessura da parede intestinal. Esta lesão provoca um íleo (estado em que se detém o movimento da parede intestinal, interrompendo o trânsito) e desenvolve-se uma distensão abdominal. Conforme a colite tóxica piora, o cólon perde o seu tónus muscular e no espaço de dias (ou até de horas) começa a dilatar-se.
As radiografias do abdómen mostram gás dentro da porção de intestino paralisada. Quando o cólon se distende exageradamente, o quadro denomina-se megacólon tóxico. O estado geral do afectado é grave e pode ter febre alta e dor no abdómen, espontaneamente ou à palpação, além dum aumento na contagem de glóbulos brancos.
No entanto, se for feito um tratamento imediato e eficaz, só em menos de 4 % dos casos se verifica uma morte. A possibilidade de morte aumenta se ocorrer uma ulceração seguida de perfuração do intestino.
O cancro do cólon, pode ocorre sendo mais elevado nas pessoas com colite ulcerosa extensa e de longa evolução. Este risco é ainda maior quando a totalidade do intestino grosso é afectada ou quando a pessoa sofreu da doença durante mais de 10 anos, independentemente do grau de actividade da mesma. As pessoas com alto risco de desenvolver cancro deverão submeter-se a uma colonoscopia (exame do intestino grosso utilizando um tubo flexível de visualização) regularmente.
Durante a mesma, obtêm-se amostras de tecido de todo o intestino grosso para serem examinadas ao microscópio. Das pessoas com esta doença, 1 % desenvolve cancro do cólon em cada ano. A maioria sobrevive se o diagnóstico é feito numa fase inicial.
Consulta de Enfermagem ao Utente Ostomizado - CS Feira ACES Entre Douro e Vouga I
A causa destas doenças não é ainda conhecida, mas estudos apontam para a intercepção de factores genéticos e ambientais.
A DII pode afectar pessoas de qualquer idade, mas é mais frequente entre os 20 e 40 anos. Em 20% dos casos a doença começa durante a infância e/ou adolescência.
A incidência da DII na Europa é de cerca de 16 novos doentes por 100.000 habitantes por ano e a prevalência é de 160-320 por 100.000 habitantes.
Estima-se que cerca de 12 500 portugueses sofrem desta doença.
Por vezes confundem-se entre si devido à semelhança nos sintomas, contudo são diferentes na zona intestinal abrangida e tratamento efectuado.
A Colite Ulcerosa é caracterizada por inflamação com ulceração no revestimento interior do recto e cólon e manifesta-se, geralmente, por diarreia com sangue e dor abdominal.
Na Doença de Crohn a inflamação atinge toda a parede do órgão envolvido e situa-se em qualquer segmento do aparelho digestivo, sendo mais frequente no intestino delgado e grosso. Clinicamente manifesta-se por diarreia, dor abdominal, emagrecimento e febre.
A DII pode complicar-se de obstrução intestinal, abcessos e fístulas e em raras ocasiões de malignidade. Podem, também, surgir complicações extra-intestinais atingindo as articulações, olhos, pele, fígado e vias biliares.
O curso clínico da doença caracteriza-se por recidivas que ocorrem intermitentemente.
A maioria dos doentes necessita de tratamento médico continuado e apresenta um grande risco de cirurgia abdominal. Na Doença de Crohn cerca de dois terços dos doentes são operados pelo menos uma vez e muitos deles operados várias vezes até a situação se estabilizar.
Em ambas as doenças pode ser necessário efectuar grandes ressecções intestinais, algun doentes ficam ostomizados temporariamente e em raros caso permanentemente.
Tratando-se de uma doença crónica em que as terapêuticas médicas e cirúrgicas não são curativas, os doentes têm necessidade de visitas médicas frequentes, quer ao médico de família, quer ao especialista e podem necessitar de vários internamentos hospitalares. Obviamente, estes factos criam incerteza sobre o futuro com reflexo na vida familiar, profissional e social.
Do ponto de vista ético e financeiro é desejável minimizar os efeitos da DII nas actividades diárias e capacidade de trabalho, melhorando assim a qualidade de vida destes doentes. Esta melhoria passa pela optimização da qualidade dos cuidados de saúde.
Torna-se, portanto, imperioso implementar medidas que conduzam a uma melhoria nos cuidados de saúde. Acresce, ainda, o facto destes doentes verem negada a possibilidade de efectuarem seguros de saúde, pela generalidade das companhias de seguros.
A maioria dos doentes efectua tratamento médico durante toda a vida.
Consulta de Enfermagem ao Utente Ostomizado do Centro Saúde Santa Maria Feira
---------------------------------------------------------------Enf. Paula Leite
Bibliografia:
www.apifarma.pt
www.manualmerck
www.apostomizados.pt
CASCAIS Ana Filipa1, MARTINI Jussara2, ALMEIDA Paulo Jorge,” O Impacto da ostomia no processo de viver humano”, p. 163-167.